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Exclusivo. Empresários enviaram mensagens assinadas por Bolsonaro com ataques ao STF e fake news

Empresários compartilharam mensagens com assinaturas de Jair Bolsonaro, além daquelas apontadas em relatório da Polícia Federal

Por Guilherme Amado, Natália Portinari, Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto em 23/08/2023 às 07:05:06

Mensagens inéditas obtidas pela coluna mostram que empresários investigados pela Polícia Federal (PF) por difundir conteúdos antidemocráticos e notícias falsas compartilharam, no grupo Empresários & Política, mensagens com ataques ao ministro Alexandre de Moraes e ao sistema democrático, com a assinatura de Jair Bolsonaro. Os textos foram encaminhados pelos empresários Meyer Nigri e Luciano Hang, investigados pela PF, e Nelson Piquet e Emilio Dalçoquio, que não são alvo de inquéritos.




Mensagens de Nigri insinuam, sem provas, que haveria fraudes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no pleito de 2022. Segundo o inquérito da PF, o empresário atendeu a um pedido de Bolsonaro ao compartilhar um texto com ataques ao ministro Luís Roberto Barroso, como mostrou a repórter Daniela Lima. "Repasse ao máximo", solicitou o então presidente. Não era só Nigri que tinha esse hábito.




Diversos empresários no grupo encaminhavam mensagens que terminavam com a assinatura "Presidente Jair Bolsonaro". Não é possível verificar a origem das mensagens, mas elas eram atribuídas a Bolsonaro, e algumas delas, de fato, foram compartilhadas pelo presidente na época.


No dia 17 de maio, às 22h02, Meyer Nigri enviou um texto assinado por Bolsonaro e que tratava de uma ação que o então presidente havia ajuizado contra Alexandre de Moraes por suposto abuso de autoridade. "Levando-se em conta seus sucessivos ataques à democracia, desrespeito à Constituição e desprezo por direitos [e] garantias fundamentais", dizia a nota, que foi divulgada na época pelo então presidente. O empresário Emilio Dalçoquio, presidente do conservador Instituto Lux e apontado pela Polícia Rodoviária Federal como líder de bloqueios ilegais de rodovias após a eleição, também encaminhou esta mensagem ao grupo, com a mesma assinatura.




Em junho, Bolsonaro enviou, em sua lista de transmissão, um vídeo dizendo "Você está pronto para a guerra? Em poucos minutos, entenda o perigo em que se encontra o nosso Brasil. Peço assistir e repassar". A mensagem foi encaminhada no grupo de empresários por Nigri; Luciano Hang, dono das lojas Havan; e o ex-piloto Nelson Piquet, dono da Autotrac, que trabalha com dados de comunicação. O vídeo é um discurso de Bolsonaro, em cerimônia pública, falando sobre a tentativa de desarmar a população.


No dia 11 de junho, às 11h33, Nigri enviou um arquivo de mídia ao grupo. Um empresário perguntou sobre quem se tratava a postagem, e Nigri retornou: "Não sei. Recebi do PR [presidente da República]. Perguntei quem é, mas ainda não respondeu".


Às 9h11 do dia 26 de junho, Nigri envia aos empresários o texto que havia recebido de Bolsonaro, segundo a apuração da PF. Na mensagem, o então presidente acusava Barroso de interferir na eleição e afirmava que "todo esse desserviço à democracia dos 3 ministros do TSE/STF faz somente aumentar a desconfiança de fraudes preparadas por ocasião das eleições".


Como mostrou a coluna nesta terça-feira (22/8), Nigri tinha o costume de compartilhar textos que atacavam a atuação dos ministros do STF e do Tribunal Superior Eleitoral e que questionavam, sem provas, a lisura do processo eleitoral.


Procurados, Nigri, Hang, Piquet e Dalçoquio não responderam. O espaço está aberto a eventuais manifestações.



Texto: Guilherme Amado, Natália Portinari, Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto

Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles


Fonte: Metrópoles

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