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Interior se sai melhor que Manaus na gestão da pandemia, diz Ricardo Nicolau

Deputado relaciona fraco desempenho da capital ao cenário caótico na saúde pública deixado pelo ex-prefeito Arthur Neto.

Por Assessoria parlamentar em 08/06/2021 às 17:12:44

Contrariando expectativas, os municípios do interior do Amazonas t√™m apresentado desempenho melhor que a capital na condu√ß√£o da pandemia. Mesmo contando apenas com a saúde b√°sica, as 61 cidades do interior respondem juntas por menos da metade de todos os óbitos por Covid-19 registrados no Estado, com uma taxa de letalidade quase tr√™s vezes menor que a de Manaus atualmente.

A an√°lise é do deputado estadual Ricardo Nicolau (PSD), que relacionou os resultados aos erros de gest√£o do governo estadual e ao cen√°rio caótico deixado pela administra√ß√£o passada da prefeitura de Manaus. Segundo o relatório de transi√ß√£o de governo, o ex-prefeito Arthur Neto deixou o setor de saúde em situa√ß√£o "crítica", com estoques zerados de medicamentos e recursos financeiros "totalmente consumidos."

"Havia uma expectativa de que o interior do Estado tivesse um desastre muito maior do que o que aconteceu em Manaus. Mas se comprovou que os municípios tiveram performance melhor, mesmo com tantas defici√™ncias. Enquanto Manaus, que tem a gest√£o hospitalar do governo do Estado e a baixa complexidade da prefeitura, n√£o conseguiu e bateu todos os recordes de mortalidade", observa o parlamentar.

Para Ricardo Nicolau, n√£o podem ficar impunes os respons√°veis pelas a√ß√Ķes que transformaram a capital amazonense na campe√£ mundial de mortes por Covid-19. "N√£o d√° para Manaus ficar com índices absurdamente altos sem que haja a devida explica√ß√£o, porque foram muitas vidas perdidas", afirma o deputado, em refer√™ncia aos 9 mil óbitos do total de 13 mil j√° registrados.

Outro indicador que evidencia a vantagem do interior no enfrentamento da pandemia é a taxa de letalidade, que mede a porcentagem de pessoas infectadas por Covid-19 que evoluem para óbito. De acordo com os últimos boletins epidemiológicos divulgados pela Funda√ß√£o de Vigil√Ęncia em Saúde (FVS-AM), a letalidade nos municípios est√° em 1,92%, enquanto Manaus chega a 5,03%. A média geral do Amazonas é de 3,35%.

Relatório comprova situa√ß√£o caótica

O relatório da Comiss√£o de Transi√ß√£o da Gest√£o do Município comprovou o "cen√°rio de caos" relatado recentemente pelo Ministério da Saúde sobre a segunda onda em Manaus, a partir de dezembro de 2020. O documento aponta uma série de falhas da gest√£o de Arthur Neto, incluindo a falta de medicamentos e produtos hospitalares em pleno pico da doen√ßa e o total esgotamento do dinheiro destinado a combater a Covid-19.

"Os recursos destinados para Covid-19 foram totalmente consumidos, sem um lastro para continuidade para a√ß√Ķes", diz uma parte do documento. "H√° um problema crítico, que é o baixo estoque de medicamentos e de produtos para saúde, inclusive EPIs, e aus√™ncia de um plano operativo e financeiro para vacina√ß√£o", aponta outro trecho.

Ex-prefeito na CPI

Na semana passada, Ricardo Nicolau defendeu a convoca√ß√£o do ex-prefeito de Manaus pela CPI da Pandemia, no Senado Federal, para dar explica√ß√Ķes sobre uma gama de contratos milion√°rios com suspeitas de corrup√ß√£o. "O Arthur, em vez de ter cuidado das pessoas, achou na pandemia uma maneira de se beneficiar. Ele tem muito a esclarecer: a omiss√£o, a neglig√™ncia, a corrup√ß√£o e o que ele fez para a segunda onda", disse.

Entre os contratos de Arthur com indícios dos crimes de sobrepre√ßo e superfaturamento est√£o R$ 3 milh√Ķes com limpeza hospitalar; R$ 3 milh√Ķes em Equipamentos de Prote√ß√£o Individual (EPIs); R$ 850 mil para compra de azitromicina; R$ 500 mil com esteriliza√ß√£o de materiais hospitalares; e lavanderia com R$ 11 pelo quilo da roupa suja, valor tr√™s vezes maior que o praticado no mercado.


Foto: Danilo Mello / Diretoria de Comunicação Aleam

Fonte: Aleam

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